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Resenha: O herói improvável da sala 13B

28 abril 2017

o-heroi-improvavel-da-sala-13b-capaTítulo: O herói improvável da sala 13B
Autora: Teresa Toten
Sinopse:

Um livro repleto de momentos de profunda emoção e outros de inesperado humor, que explora as complexidades de viver com TOC e oferece perspectivas de esperança, felicidade e cura.
Adam Spencer Ross, 14 anos, precisa lidar todos os dias com os problemas que resultam do divórcio dos pais e das necessidades de um meio-irmão amoroso, mas totalmente carente. Acrescente os desafios de seu TOC e é praticamente impossível imaginar que um dia ele se apaixonará. Mas, quando conhece Robyn Plummer no Grupo de Apoio a Jovens com TOC, ele fica perdida e desesperadamente atraído por ela.
Robyn tem uma voz hipnótica, olhos azuis da cor do céu revolto e uma beleza estonteante que faz o corpo de Adam doer. Adam está determinado a ser o Batman para sua Robyn, mas será possível ter uma relação “normal” quando sua vida está longe de ser isso?

Oi gente, tudo bem? Eu estou bem também!

Antes de mais nada tenho que fazer uma confissão: não esperava que esse livro fosse tão cativante! Uma coisa é a sinopse te envolver e outra coisa é o conteúdo inteiro te impressionar.
Você pode perguntar: mas tem bastante louco nesse livro? E onde é que não tem?! Não poderíamos esperar menos de um livro sobre o assunto, mas esse livro não fala da doença em si, e sim como as pessoas que a tem lidam com isso no seu dia-a-dia.
Fica bem claro durante a leitura o quanto é difícil para Adam viver no meio de pessoas “normais”, ou se comportar na frente delas, ou até mesmo expor seus pensamentos. Não é fácil também como lidar com o primeiro amor arrebatador que ele descobre sentir assim que coloca os olhos em Robyn. Assim como não é fácil para nenhum de nós. Mas para Adam é tudo potencializado.
Mas a consciência que Adam tem sobre a sua doença e sobre como os seus “rituais” podem afastar as pessoas é impressionante. Imagino que todos os que tem TOC nem sempre tenham essa noção do que é estranho ou exagerado, mas Adam tem e parece sofrer muito por isso. Ele se corrói quando isso toma conta dele. E ele sabe que precisa ficar bom para poder ficar com Robyn e cuidar dela.
Outro ponto interessante é a relação de Adam com a mãe. Nesse livro não tem ninguém normal, mas a mãe dá sinais o tempo todo de que alguma coisa não está certa, mas Adam não tem coragem suficiente de interferir. Até que fica perigoso.
Adam e Robyn começam uma relação muito bacana que acaba em romance. Mas é um romance especial, porque ambos sabem de seus problemas pessoais e como isso pode afetá-los. Inclusive, isso é tratado com muita emoção quando Adam percebe que precisa realmente fazer algo para ficar bom e proteger aqueles que ama.
Ah, o amor! O exagero dele também pode ser prejudicial. Docinho, o meio-irmão de Adam de cinco anos ama tanto Adam que o sufoca. Adam não tem coragem de afastar o irmão, que sofre absurdos com a ausência dele. Os diálogos entre eles são hilários e cheios de sentimentos sempre.

– Praticando o que falar para a minha mais bonita melhor garota quando eu me apaixonar – explicou Docinho. – A sua tem peitões grandes?

A descoberta de novas amizades também é bem explorada. Os companheiros de grupo de Adam acabam se tornando seus amigos, inclusive o mais difícil de lidar, apelidado de Thor. Preste atenção nesse cara enquanto estiver lendo esse livro. Fará toda a diferença!

O Thor levantou seu enorme braço musculoso, colocou-o sobre o ombro magro de Adam e olhou mais ou menos na sua direção.
– Estou cuidando de você.

Adam tem a “mania” de carregar o mundo nas costas e parte de seus rituais é para proteger aqueles que ele ama. Ele sente que se o ritual não for perfeito, ele pode colocar a vida de alguém em risco. Além disso, ele tem uma percepção extraordinária sobre como as pessoas estão se sentindo, e ele usa essa percepção para ajudá-las. Diante do grupo, ele acaba sendo um porto seguro para todos os outros justamente por se importar tanto com os demais. É bonito de ver, mas será que é o melhor para Adam?

– Às vezes é necessário magoar aqueles que você ama. Pode checar isso com seu médico sofisticado, ou aonde quer que você vá toda segunda-feira. – Ela bateu de leve em sua mão. – Desapegar, Adam. Essa é a parte realmente difícil de crescer. Você está pronto.

Único defeito: ser narrado em terceira pessoa. Adam tem tanta coisa a dizer, que preferiria que ele mesmo narrasse, que ele mesmo encaixasse seus pensamentos para serem compartilhados. Mesmo o narrador tendo todas as percepções dos personagens, gostaria de ler sob a visão de Adam e Robyn, o que poderia ser muito mais interessante.
Boa leitura!

Nota:

O post original desta resenha foi feito em 07/10/2016 e você pode conferi-lo aqui.

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Resenha: Marshmallow

26 abril 2017

capa-marshmallowTítulo: Marshmallow
Autora: Dorothy Koomson
Sinopse:

Uma história de redenção, esperança e a descoberta de amor nos lugares mais inesperados.
Quando Kendra Tamale regressa à Inglaterra, fugindo de velhas mágoas e em busca de um novo começo, aluga um quarto de Kyle, um homem separado e pai de dois filhos, de quem se aproxima, contra todas as suas expectativas. Porém, essa amorosa e simpática mulher esconde algo sombrio em seu passado.
O que acontecerá quando esse segredo vir a tona e Kendra tiver que enfrentar seus próprios demônios?
A única forma de remediar a situação é confessar o erro terrível que cometeu há muitos anos atrás, algo que prometeu nunca fazer.

Oi gente, tudo bem? Eu estou bem também, obrigada!
Ufa! A sensação ao terminar de ler esse livro é de alívio. Alívio por não ter que ler mais sobre o assunto-chave e alívio por ter a ideia de que tudo de ajeitou.
Kendra, ao voltar à Inglaterra, aluga um apartamento de Kyle, com a intenção de se tornar invisível ao mundo à sua volta. Ela não queria fazer novos amigos ou encontrar novos amores, ela só queria tocar a vida. Até que conhece os gêmeos Summer e Jaxon.
Summer e Jaxon são os filhos do senhorio de Kendra, que por acaso é Kyle. A atração, simpatia e amor pelos gêmeos é instantânea. E Summer e Jaxon, menina e menino de seis anos de idade, não poderiam ser mais recíprocos a todos os sentimentos que Kendra passa a ter por eles. A reciproca é verdadeira e imediata.
É tanto amor que ao longo da história essa convivência vai ter tornando vital para todos os envolvidos. E você entende porque foi amor à primeira vista.
Kyle está em vias de se separar da mulher, que “fugiu” para os Estados Unidos, o abandonando com as duas crianças pequenas. E após ter certeza de que ela não voltaria, fica completamente perdido quanto ao que fazer de sua vida. Até que Kendra entra na sua vida e muda tudo.
Kendra tinha todos os motivos para não se envolver com essa família, mas também tinha todos os motivos para fazê-lo. Kyle e seus filhos tem uma vida bagunçada, desestruturada e marcada por momentos que poderiam traumatizar as crianças de forma irreparável. Kyle demora a confiar em Kendra e vice-e-versa. Mas alguns fragmentos daquela família são contados pelas crianças, que têm seu jeito próprio de lidar com o abandono da mãe.
Os segredos de Kendra e Kyle são revelados aos poucos, muito aos poucos devo dizer. Kendra quer esquecer o passado, mas não consegue se livrar da culpa e nem do que aconteceu quando ela era mais jovem. Não vi como as duas coisas estavam entrelaçadas, mas dá para ver nitidamente o peso que Kendra carrega.
Já os segredos de Kyle são mantidos guardados por medo, por vergonha, por achar que as coisas mudariam por si só ou que sua esposa cairia em si antes de destruir completamente sua família. Mas as coisas não mudaram, e ele não sabia como lidar com aquilo.
Kendra e Kyle encontram um no outro uma amizade sincera, sem querer nada em troca e apesar de se conhecer a pouco tempo, compartilharam um mundo de amor pelas crianças. E eram elas que os mantinham unidos.
Quando as coisas apertam, e eu não posso dizer o que, Kendra é quem mantém Kyle lúcido, 
respirando. É Kendra quem tem que colocar um pouco de razão na cabeça de Kyle e por vezes, até brigaram por assuntos tão “família”. Kendra não era mãe das crianças, mas as tratava como seus filhos e os amava como tal.
O passado de Kendra impede que ela toque a vida, que ela deixe de se odiar ou de repudiar quem ela foi um dia. Ela demora bastante para perceber que precisa mudar esses sentimentos em relação ao passado se quer mesmo ver adiante. O motivo que a faz sair da Austrália, às pressas, também é revelado e é o mesmo motivo que a faz pensar em voltar.
Mas o que ela tem com a família de Kyle, que passou a ser a dela também, não poderia ser mais real do que ela poderia ter ao voltar para a Austrália. E tudo bem para ela, pois o presente é exatamente o que ela poderia querer.
A história de Kendra, Kyle e sua esposa é bem sofrida, cheia de mágoas, coisas que precisam perdoar, dor e arrependimentos. É uma leitura pesada, com temas sufocantes e quando envolvem Summer e Jaxon fica um pouco pior.
O papel de Summer e Jaxon neste livro, acredito eu, é colocar esperança no coração de Kendra e Kyle, é a possibilidade de que as coisas vão melhorar e que a parte do sofrimento ficará no passado. São duas crianças brilhantes, apaixonantes, engraçadas e divertidas, são crianças que precisavam do amor exatamente quando Kendra chegou em suas vidas. E esse amor é o que mudou tudo na vida deles, inclusive para Kendra e Kyle.
Boa leitura!

Nota:

O post original desta resenha foi feito em 11/11/2016 e você pode conferi-lo aqui.

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Resenha: It ends with us

24 abril 2017

capa_it-end-with-usTítulo: It ends with us
Autora: Colleen Hoover
Sinopse:

Lily nunca teve uma vida fácil, mas isso nunca a impediu de trabalhar duro para atingir os seus objetivos. Ela percorreu um longo caminho desde a pequena cidade no Maine, onde ela cresceu. Ela se formou na faculdade, mudou-se para Boston e começou seu próprio negócio. Então, quando ela sente uma faísca por um lindo neurocirurgião chamado Ryle Kincaid, tudo na vida de Lily, de repente, parece quase bom demais para ser verdade.
Ryle é assertivo, teimoso, talvez até um pouco arrogante.

Ele também é sensível, brilhante e tem um fraco por Lily. E a maneira como ele fica com roupa cirúrgica não é nada mal. Lily não consegue tirá-lo da cabeça. Mas a aversão completa de Ryle a relacionamento é preocupante. Mesmo quando Lily se torna a exceção a sua regra de namoro, ela não consegue deixar de divagar sobre o motivo que fez Ryle ser como é. A medida que perguntas sobre o seu novo relacionamento invadem a sua mente, pensamentos acerca de Atlas Corrigan – seu primeiro amor e uma conexão com o passado que ela deixou para trás – também passam a dominá-la. Ele era sua alma gêmea, seu protetor. Quando Atlas de repente, reaparece, tudo o que Lily construiu com Ryle está ameaçado.

Oi gente, tudo bem? Eu estou ótima e encantada com esse último livro da diva. Mas eu preciso falar sobre Lily.
A vida de Lily realmente não era fácil enquanto ela crescia sob os cuidados de seus pais. E o livro começa contando o relacionamento que ela tinha, principalmente com o pai. Era uma relação de amor e ódio, em que o ódio levou vantagem nas decisões mais importantes na vida de Lily.
E enquanto relembrava certas coisas, conhece Ryle no telhado de um prédio, que é onde ela se “encontra” com o universo e sente que pode clarear as ideias.
A forma como Lily e Ryle se conhecem é no mínimo inusitada. Ambos procuram o telhado para escapar da realidade e poder extravasar as frustrações. E durante a conversa, acabam inventando a brincadeira “verdade crua” em que tem que ser extremamente honesto sobre o que está pensando no momento. Essa brincadeira rende revelações interessantes e reveladores sobre ambos, durante todo o livro.
Lily narra sua história intercalando o presente e o passado. O passado é a releitura do que escreveu em seu diário quase nove anos atrás. E então que surge Atlas, acredito que a peça-chave na vida de Lily (ops!). Ela acaba relendo o diário como uma forma de encerramento do passado, pois está intimamente ligado ao seu pai e a frustração inicial do livro.
Altas aparece na vida de Lily por acaso, de forma absurdamente bizarra, quando ela tinha quinze anos. Ele é um garoto alguns anos mais velho que Lily, que acaba se refugiando na casa ao lado da dela, mas em condições que você não pode imaginar. Aí surge uma amizade secreta entre eles, já que seus pais não aprovariam Atlas de jeito nenhum e em nenhum sentido, e Lily se vê querendo fazer tudo por Altas. Passam a dividir segredos e o programa favorito de Lily, Ellen Degeneres Show. Que inclusive, é a destinatária das páginas do diário de Lily (que começa sempre com “Cara Ellen…”). Lily fala sobre as coisas que gostou ou não nos programas da semana e acaba “desabafando” com Ellen sobre coisas pessoais, mesmo sabendo que a apresentadora nem sabe de sua existência.
E o que Lily escreve é de matar. Dá vontade de parar de ler por conta do contexto. São dois temas igualmente delicados e difíceis de entender. A razão do ser humano para algumas coisas ainda é incompreensível, e dá nojo.
Conforme vamos conhecendo partes do passado de Lily, ela passa a conhecer mais de Ryle e a se relacionar com ele, mesmo ele sendo avesso à relacionamentos. E posso dizer que achei muito estranho a rapidez com que ele “cai” por Lily; ele fica literalmente de quatro por ela. Ok, mas coisas vão acontecendo e parece estar tudo bem.
Até que… outras coisas acontecem. E esse é o tema central do livro, e foi tratado de forma tão sutil, que ao mesmo tempo em que você se pergunta “é realmente o que parece ser?”, “será que é eu vi coisas?”, “será que era essa a intenção de fulano?”, você sente vontade de entrar no livro e mudar aquilo, porque é demais. E quando Lily passa a se fazer essas mesmas perguntas, senti vontade de chorar. Por ela.
E então, como não poderia ter um timming melhor, Atlas ressurge na vida de Lily e o encontro o faz reviver episódios da vida de Lily que ele gostaria de manter apenas no passado. Mas quando confronta Lily, ela mente. Talvez por causa dos questionamentos acima ou por vergonha, por achar que não é melhor do que era no passado.
E essas coisas acontecem de novo. E sem motivo, sem razão. É um tipo de coisa que não existe motivo ou justificativa. Ponto. Mas Lily se questiona de novo, ela duvida de sua lealdade ou de sua capacidade de ter alguém e cuidar dessa pessoa com tudo o que é possível. Ela até pensa que se não tivesse feito tal coisa, essa outra coisa não teria acontecido.
A leitura chega a um ponto que para mim não tem saída. Não tem como Lily ser feliz, livre, sem que haja consequências. Não tem como estar com uma pessoa sem quebrar o coração de outra. Mas quem é o meu preferido nessa história? Talvez você se faça essa mesma pergunta, e minha resposta é: não sei.
Daqui para o final, além de mais revelações, atitudes são tomadas e Atlas acaba sendo um membro permanente da leitura. Até que não é mais. O papel de Atlas nesse livro, é te dar o doce e depois tirar. E apesar de seu papel na vida de Lily ser tão importante, pouco conhecemos dele. Seu passado é apenas o que Lily contou aos diários e sua vida nesses nove anos em que esteve fora, é um breve resumo que ele deu à Lily.

“No futuro… se por algum milagre você alguma vez se encontrar na posição para se apaixonar novamente… se apaixone por mim”. (…) “Você ainda é a minha pessoa favorita, Lily. Sempre será”.

O desfecho da história de Lily, Ryle e Atlas é o que deveria ser. O mais correto, o mais honrado, o mais emocionante final que poderia existir. E por se tratar de um assunto da nossa realidade, fica ainda mais fácil suspirar de alívio ao final.

“Gostaria de pedir para deixá-lo”, diz ele em meio às lágrimas. Seus lábios pressionam desesperadamente contra a minha testa e eu posso sentir algumas de suas lágrimas caírem em meu rosto. Ele move a boca para o meu ouvido e embala nós duas contra ele. “Eu gostaria de dizer que ela vale muito mais. E eu gostaria de pedir a ela para não voltar, não importa o quanto ele a ame. Ela vale muito mais”.

Como toda obra de Colleen, a leitura é fácil e fluida, cheia de diálogos e detalhes importantes que devem ser tratados com mais atenção. Mas o que mais me surpreendeu é a nota da autora. Leia só depois de terminar o livro, pois é uma janela na vida dela que você poderia não conhecer se não fosse por esse livro.
Ah, ainda não foi publicado no Brasil. 🙁
Boa leitura!

Nota:

O post original desta resenha foi feito em 26/10/2016 e você pode conferi-lo aqui.